9 de abril de 2016

Cemitérios dos Ingleses em Salvador, BA

Mais um ano de férias em Salvador e eu aproveito para conhecer lugares que ainda não havia ido. Desta vez, passando pela Ladeira da Barra, parei diante do portão do Cemitério dos Ingleses [British Cemetery], e mergulhei em uma parte da história da presença inglesa na Bahia.
Entrada do Cemitério dos Ingleses na Ladeira da Barra em Salvador. Fonte: site Bahia Turismo.
Durante o século XVII os ingleses vieram à Bahia e estabeleceram várias benfeitorias aqui nas terras e, ao morrer, a comunidade inglesa os agregava em um mesmo cemitério, visto que na época, a tradição predominante era católica e os ingleses, anglicanos. Por isso, ganharam da Igreja de Santo Antônio da Barra e do governo da época um terreno e o direito de ter seu próprio cemitério.
Vista do Cemitério dos Ingleses.
Túmulos no Cemitério. Aina há pessoas que visitam o local com frequência para render homenagens aos que estão enterrados. 
O local é muito bem cuidado, foi tombado pelo patrimônio cultural baiano 1993 e foi revitalizado entre 2004 e 2006 pelo Governo do Estado da Bahia. No cemitério há túmulos do início de 1800 [o mais antigo é de 1813 de John Sharp, comerciante de Liverpool, que morreu aos 36 anos de febre amarela], até a atualidade [vi uma lápide com data de 2007]. Segundo as placas explicativas, o local se parece a um típico cemitério rural britânico, e as lápides foram importadas da Inglaterra, Escócia, Irlanda e algumas cortadas no Brasil. Nelas há muita informação sobre os "moradores", desde as típicas como nome, data de nascimento e morte, cidade de origem e informações genealógicas até profissão e causa da morte. Em outras há frases de amor, amizade, versículos bíblicos, citações de poetas e trechos de hinos religiosos, tudo escrito em inglês.
Túmulos no cemitério. Eles não seguem um padrão, mas carregam uma grande beleza.
Mausoléu de Edward Pellew Wilson.
Alguns mausoléus chamam atenção pela sua imponência como, o do fundador da firma de navegação Wilson & Sons, Edward Pellew Wilson, todo em mármore Carrara, de origem italiana, com esculturas e a sua face esculpida em um dos lados da lápide. Outros mausoléus são rodeados por grades bem ornadas, carregam cruzes celtas, desconhecidas na tradição católica e dois obeliscos.
Destaque para a cruz celta em primeiro plano e outras cruzes em segundo plano.
Um dos túmulos cerados por uma grade de ferro. Algumas chamam muita atenção pelo seu design diferenciado e bem detalhado.
O que também chama atenção no cemitério é que, apesar de ser inglês, recebeu mortos de outras nacionalidades como norte americana, holandesa, alemã, suíça, francesa e belga, pelo menos um cidadão de cada nação. Nele há homens, mulheres e crianças enterrados, indicando que os ingleses formaram famílias na Bahia.
Fiquei encantada com o lugar. Transmite muita paz!
Dentro do terreno há uma capela anglicana do século XIX e uma vista impressionante para a Baía de Todos os Santos. Para mais informações, você pode consultar o blog do Cemitério dos Ingleses.
Capela do século XIX dentro do Cemitério dos Ingleses.
Vista para a Baía de Todos os Santos.
Se você é apaixonado ou apaixonada por história e não te medo de quem já morreu, vale uma visita ao cemitério.